A Hapvida (HAPV3) comunicou ao mercado que aprovou a utilização de até R$ 250 milhões para a recompra de debêntures de sua própria emissão, além da liquidação antecipada de um contrato de swap (hedge). O resultado: redução da dívida bruta da companhia em R$ 322,6 milhões. As operações foram feitas com deságio médio de 23%, o que gerou impacto financeiro positivo para a empresa.
No dia 20 de agosto de 2026, a Hapvida liquidou antecipadamente um contrato de swap avaliado em R$ 128,7 milhões na data da operação. O pagamento foi feito com desconto de 23%, registrando um ganho financeiro de R$ 29,6 milhões. Antes disso, em 14 de agosto, a diretoria aprovou a recompra facultativa de debêntures, autorizando até R$ 150 milhões para aquisição. Até 25 de agosto, a empresa já havia comprado 185.355 debêntures, com valor nominal atualizado de R$ 193,9 milhões, desembolsando R$ 149,9 milhões.
As debêntures recompradas são de diversas emissões e séries, mantendo conformidade com a legislação vigente e sem pagamento de prêmio, seguindo as normas da Comissão de Valores Mobiliários (CVM). A recompra busca melhorar a gestão financeira ao reduzir a alavancagem e as despesas financeiras, utilizando recursos próprios e preservando a liquidez operacional da companhia.
Nas últimas semanas, a Hapvida voltou aos holofotes do mercado. O balanço do 2T26 veio fraco, com deterioração importante da rentabilidade. O Ebitda ajustado caiu 44%, enquanto a margem Ebitda recuou para 6,3%, pressionada principalmente pela piora operacional, com a sinistralidade chegando a 75,2%. O resultado aumentou as dúvidas do mercado sobre a capacidade da companhia de recuperar margens e dar visibilidade à geração de caixa.
Após o trimestre, a Hapvida passou a avaliar a revisão de contratos coletivos com precificação considerada defasada, envolvendo cerca de 947 mil beneficiários. A medida pode melhorar a qualidade da carteira, mas também reduzir receitas e a diluição dos custos fixos. Inicialmente, a Agência Nacional de Saúde (ANS) anunciou, na quinta-feira (20), a suspensão preventiva dos reajustes e cancelamentos de contratos que atingiriam esses 947 mil beneficiários, mas depois a medida foi suspensa.
Apesar da reversão da cautelar, o mercado continuou preocupado com a estratégia de readequação da carteira e com a deterioração operacional. Na terça-feira (25), HAPV3 chegou a cair 4,72%, a R$ 6,06, em meio à divulgação de que a Squadra reduziu sua participação para 3,87% e classificou o investimento na Hapvida como o "maior erro" de sua história.
Para o investidor, a redução da dívida é um sinal positivo de gestão financeira, mas o cenário operacional ainda preocupa. Acompanhar os próximos balanços e a evolução da sinistralidade será essencial para avaliar a recuperação da companhia.