A BM Partners está ampliando a aposta para além do M&A. A casa quer estruturar cerca de R$ 2 bilhões por ano em operações de crédito e imobiliárias, duas verticais que já somam quase R$ 1 bilhão em mandatos em 2026.
O movimento aproveita uma relação construída nas duas pontas do M&A: com as empresas que precisam de capital e com os investidores que podem financiá-las.
Onde está a meta de R$ 2 bilhões
A maior parte da meta está no real estate, com R$ 1,2 bilhão por ano. Em crédito, o objetivo é chegar a R$ 800 milhões. Os tíquetes, nas duas áreas, costumam superar R$ 50 milhões.
No imobiliário, a BM já estruturou mais de R$ 400 milhões em operações ligadas a empreendimentos com VGV potencial próximo de R$ 5 bilhões. Entre eles está um projeto com a Trisul, de aproximadamente R$ 900 milhões em VGV. A meta é chegar a R$ 10 bilhões em VGV de projetos viabilizados nos próximos anos. O pipeline da vertical já supera R$ 700 milhões.
Crédito, FIDCs e reorganização de dívidas
Em crédito, a BM tem concentrado a atuação na estruturação e captação de FIDCs. As operações servem tanto para financiar o crescimento das empresas quanto para buscar maior eficiência tributária. A casa também trabalha na reorganização de dívidas e consolidação de garantias.
Um dos maiores negócios já concluídos pela área foi uma captação internacional de US$ 330 milhões, fechada no início de 2025.
Quatro fundos próprios e rede de 300 investidores
A próxima etapa é ter veículos dedicados a essas teses. A BM ainda não possui fundos próprios em operação, mas trabalha na estruturação de quatro: dois de crédito e dois imobiliários.
No real estate, as primeiras teses serão permuta e aquisição de estoques de incorporadoras. O primeiro fundo deve ter entre R$ 200 milhões e R$ 250 milhões.
Para distribuir essas operações, a BM conta hoje com uma rede de cerca de 300 investidores, entre gestoras, bancos, family offices e pessoas físicas. A intenção é dobrar essa base nos próximos 12 meses.
A leitura que faço aqui é técnica, não de recomendação. Estruturar fundos de crédito e real estate exige governança, marcação a mercado e tolerância a ciclos longos. Quem entra precisa entender que tíquete acima de R$ 50 milhões não é varejo e que iliquidez faz parte do desenho. como funciona um FIDC