# Dolly: pedido de falência por dívidas bilionárias de 25 anos; entenda o caso

> A Dolly, fabricante de refrigerantes, enfrenta pedido de falência movido por credores devido a dívidas que ultrapassam R$ 1 bilhão acumuladas em 25 anos. O processo judicial busca a recuperação de valores não pagos pela empresa, que alega dificuldades financeiras para quitar os débitos.

*Viva Capital · Credito e Dividas · 02 de julho de 2026 · Patrícia Mendonça*

A fabricante de refrigerantes Dolly enfrenta um pedido de falência movido por credores após acumular dívidas que, segundo registros judiciais, ultrapassam R$ 1 bilhão ao longo de 25 anos. Entenda como a empresa chegou a esse ponto e quais os próximos passos legais.

A Dolly, uma das marcas mais conhecidas de refrigerantes no Brasil, enfrenta um pedido de falência protocolado por credores na Justiça de São Paulo. A empresa acumula dívidas que, segundo estimativas de fontes do mercado e registros judiciais, ultrapassam R$ 1 bilhão ao longo de 25 anos. O caso reacende o debate sobre a responsabilidade fiscal de grandes empresas e os mecanismos legais de cobrança.

**O pedido de falência contra a Dolly: o que se sabe até agora**

O pedido de falência foi apresentado em junho de 2026 por um grupo de credores que alegam não ter recebido valores devidos em ações trabalhistas e cíveis. A 1ª Vara de Falências e Recuperações Judiciais de São Paulo é a responsável pelo processo. A Dolly, em nota, afirmou que as dívidas são contestadas e que buscará um acordo judicial para evitar a falência. Segundo o Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP), o caso está em fase de análise inicial, sem decisão liminar até o momento.

**Como a Dolly acumulou dívidas bilionárias em 25 anos?**

A trajetória de endividamento da Dolly remonta ao final dos anos 1990 e início dos anos 2000. A empresa foi alvo de sucessivas ações trabalhistas por condições de trabalho, além de processos fiscais por supostas irregularidades no pagamento de tributos. De acordo com dados do Tribunal Superior do Trabalho (TST), a Dolly figura entre as empresas com maior número de execuções trabalhistas no estado de São Paulo.

A falta de acordo em muitas dessas ações gerou o acúmulo de multas e juros, que elevaram o valor original das dívidas. Em 2014, a empresa tentou um acordo com a Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional (PGFN) para parcelar débitos fiscais, mas o plano não foi cumprido integralmente. A PGFN informa que, até maio de 2026, o saldo devedor da Dolly em tributos federais é de cerca de R$ 350 milhões.

**Os principais credores e o valor das dívidas**

Entre os credores que protocolam o pedido de falência estão ex-funcionários, fornecedores e o Fisco estadual e federal. O valor total das dívidas é estimado em R$ 1,2 bilhão, conforme documentos do processo obtidos pela imprensa. A maior parte desse montante é de origem trabalhista (aproximadamente R$ 600 milhões), seguida por débitos fiscais (R$ 400 milhões) e dívidas com fornecedores (R$ 200 milhões). Esses números, porém, são contestados pela Dolly, que alega que muitos processos estão em fase de recurso.

**A defesa da Dolly e os argumentos contra a falência**

A Dolly nega as acusações de insolvência. Em comunicado, a empresa afirma que "as dívidas são objeto de discussão judicial e não representam o valor real devido". A defesa da companhia sustenta que o pedido de falência é uma manobra de credores para pressionar a empresa a pagar valores que ainda não foram definitivamente julgados. A Dolly também alega que possui ativos suficientes para cobrir as obrigações, incluindo fábricas e marcas registradas.

Segundo especialistas em direito empresarial, a alegação de que as dívidas são contestadas é comum em processos de falência, mas cabe ao juiz decidir se há indícios de insolvência. O Código Civil brasileiro, em seu artigo 955, define que a falência pode ser decretada quando o devedor não paga dívida líquida e certa no prazo legal.

**O que acontece se a falência for decretada?**

Caso o juiz acolha o pedido, a Dolly terá seus bens bloqueados e será nomeado um administrador judicial para gerir a empresa. Os credores serão convocados para apresentar seus créditos em uma assembleia. Se a falência for confirmada, a empresa pode ser liquidada, com a venda de seus ativos para pagar as dívidas. O processo pode levar anos, e os credores trabalhistas têm prioridade no recebimento.

Para os consumidores, a falência da Dolly pode significar o fim da marca no mercado. A empresa, que já foi uma das líderes do setor de refrigerantes no Brasil, hoje tem participação reduzida, mas ainda é conhecida por produtos como o Guaraná Dolly e a linha de sucos.

**O histórico de problemas fiscais e trabalhistas**

A Dolly não é nova em controvérsias. Em 2003, a empresa foi alvo de uma operação do Ministério Público do Trabalho (MPT) que apontou condições degradantes de trabalho em suas fábricas. O MPT firmou um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) com a empresa, mas novas denúncias surgiram nos anos seguintes.

Na área fiscal, a Dolly foi autuada pela Receita Federal em 2010 por suposta sonegação de impostos. O processo administrativo fiscal correu por anos e, em 2018, a empresa perdeu em última instância, gerando um débito de R$ 120 milhões, que hoje, com juros, ultrapassa R$ 250 milhões.

**O impacto no mercado de refrigerantes**

A crise da Dolly ocorre em um momento de concentração no setor de bebidas. Grandes players como Ambev, Coca-Cola e Heineken dominam o mercado, e a Dolly, com sua estrutura menor, enfrenta dificuldades para competir. A possível saída da empresa do mercado pode abrir espaço para marcas regionais e artesanais, mas também reduzir a oferta de produtos de baixo custo.

**Perguntas Frequentes**

### A Dolly vai realmente falir?

Não ainda. O pedido de falência está em análise judicial. A Dolly pode apresentar defesa e buscar acordo. A decisão final cabe ao juiz.

### Quanto a Dolly deve?

Estima-se que as dívidas ultrapassem R$ 1 bilhão, com maior parte em ações trabalhistas e fiscais. Os valores são contestados pela empresa.

### Quem são os credores?

Ex-funcionários, fornecedores e o Fisco (federal e estadual) estão entre os principais credores.

### O que acontece com os funcionários?

Se a falência for decretada, os funcionários têm prioridade no recebimento de créditos trabalhistas, mas podem enfrentar atrasos.

### A Dolly pode pedir recuperação judicial?

Sim. A empresa pode, a qualquer momento, solicitar recuperação judicial para tentar renegociar as dívidas e evitar a falência. Até o momento, não há pedido nesse sentido.

entenda a diferença entre falência e recuperação judicial como funciona a prioridade de créditos na falência

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Fonte (canonical): https://vivacapital.com.br/credito-e-dividas/dolly-alvo-pedido-falencia-por-dividas-bilionarias-acumuladas-ha-25-anos-como-si/
